Perfil de Cláudio Lima

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  • Shortbus

    Nota dada: 4

    Realmente, um filme iconoclasta e nunca feito antes. Mesclar cenas de sexo explícito com um roteiro no mínimo razoável é algo que não se vê hoje em dia: ou só se tem um daqueles filmes pornográficos de quinta categoria, no qual a pia da moça entope e o bombeiro que vem consertar acaba não resistindo à tentação de traça-la, ou um filme de roteiro impecável, com bons atores e, no máximo, uma ou outra cena de sexo implícito. Mas a simples existência do iconoclasta não transforma nada em objeto de qualidade. E Shortbus é isso, um filme sem qualidade. Retirem-se as cenas de sexo explícito - o que provavelmente acontecerá se o filme chegar à China ou a Cuba, ou aconteceria aqui se vivêssemos nos tempos da ditadura - e há um roteiro, no máximo razoável. São os conflitos pessoais - e os sexuais se incluem aí, como sempre, mas nem um pouco mascarados ou disfarçados - de uma Nova Iorque rendida ao "american way of life", como se vê em tantos outros filmes de roteiros fracos, entupidos dos mais encardidos clichês. As situações às quais estamos acostumados, da "telenovela das oito" e da "sessão da tarde", das quais a elite intelectual procura se distanciar, enquanto com as quais a grande massa acomodada tanto se identifica, são transferidas, no Shortbus, para personagens não convencionais: um casal de homens gays, uma terapeuta sexual - a qual insiste em não ser chamada assim - pré-orgástica, uma dominatrix, um voyeur, um dono de uma boate surreal, a Shortbus do título e alguns outros. Os diálogos de sempre, os sentimentos de sempre, os conflitos psicológicos de sempre - e alguns se perguntariam, que conflitos psicológicos? -, tão triviais, só preto-no-branco, são adaptados a esses novos personagens, que na verdade nada têm de novos, a não ser pelo fato de serem aparantemente diferentes. E o filme é isso, apenas diferente dos outros na aparência. Mas lá no fundo, os personagens são todos iguais: a protagonista da "novela das oito" e a terapeuta, um casal bonito heterossexual da "novela dos seis" e o casal "fofo" gay, a atormentada garota solitária da "sessão da tarde" e a dominatrix. Shortbus pegou os personagens clichês das esquinas cinematográficas, passou maquiagem e os colocou pra fazer sexo explícito. Deu no que deu: iconoclastia sem qualidade.
  • Linha de Passe

    Acabei de ver. E foi no espaço comercial do filme, antes do início, que eu fiquei sabendo do MovieMobz. Mas voltando ao filme... É realmente impossível ficar indiferente ao filme. A todo instante emoções são evocadas - e afloradas -, às vezes tão opostas e contrastantes, às vezes indescritíveis. Confesso que me incomodei um bocado com o filme em alguns trechos - um tanto previsível e meio clichê, principalmente no início -, me arrepiei em excesso em algumas cenas e lacrimejei no final. Como dito, é impossível ficar indiferente ao filme.