Violência Gratuita

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Nota 7.4 (71 votos)

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Título original: Funny Games
Dirigido por:
Gênero:
Status: Digital High Definition
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  • Anderson Siqueira

    Nota dada: 8

    ?Violência Gratuita? se mostra, desde o seu início, um filme cru e cruel. O alemão Michael Haneke, diretor e roteirista do longa, produziu esse mesmo filme ? com título e roteiro idênticos ? há 10 anos. Só que ao contrário deste, o diretor usou um casal como antagonistas. Caráter, fé, família e sadismo são alguns dos temas abordados pelo roteiro, que faz uma experiência com a platéia. Haneke brinca com os personagens o tempo todo e isso é refletido na platéia como um incômodo. A frustração de cada pessoa em frente à telona é o segredo do filme, que não quer agradar a quem está vendo, mas sim mostrar a fabulosa magia da manipulação cinematográfica. O diretor manipula o espectador introduzindo e retirando o mesmo da história o tempo todo. Apesar de um filme ser uma representação, algo que leva o expectador a sair da realidade durante alguns minutos e entrar naquele mundo ficcioso, o diretor lembra ao espectador em vários momentos durante o filme que aquilo ali é só um modo de manipulação. Ou seja, você vai ao cinema pra ser cinematograficamente abduzido, mas nem sempre é lembrado disso. Ao contrário da imensa maioria dos filmes, ?Violência Gratuita? se diferencia pelo fato dos protagonistas conversarem com as câmeras. O golfe é o esporte escolhido para a caracterização dos vilões. Essa escolha pode ser entendida da seguinte maneira: assim como os golfistas, os antagonistas do filme são calmos, têm planejamento e autoconfiança. Isso é o bastante para praticar a crueldade com total consciência dos fatos e dos possíveis prejuízos. O golfe é praticado por pessoas com um bom padrão de vida, o que reforça os preconceitos com pessoas mais pobres e isentam os ricos da malandragem. Mas isso é colocado em jogo pelo diretor no filme. Reforçando mais uma vez a manipulação. A técnica de ?Violência Gratuita? também é boa. Há movimentos de traveling ? quando a câmera se movimenta paralelamente ao fato ? e também o uso de câmera panorâmica ? onde a câmera não sai do lugar, apenas gira em torno do próprio eixo. O uso do close também é bastante usado para demonstrar os sentimentos de cada personagem. A montagem é benéfica e forma uma narrativa bem estruturada, com cortes e elipses bem planejados. As locações são simples, porém satisfatórias. O figurino é sarcástico, pois usa o branco ? que geralmente é usado por pessoas do bem como médicos, enfermeiros e anjos ? e coloca-o em cheque, rompendo com mais esse tradicionalismo. Função secundária do roteiro (a primeira é a ação), os diálogos se desenvolvem de forma organizada e lógica, beneficiando as cenas. Há uma tomada muito longa no filme que escolho como a melhor cena. O silêncio é prolongado e os espectadores no cinema se incomodam. O vício do cinema hollywoodiano, onde cada momento do filme deve ser preenchido com um som ou alguma ação, é evidente. E quando o diretor faz uso da câmera parada, sem ação alguma à sua frente e sem som, a platéia se estranha. Isso é benéfico porque além de aumentar o suspense, coloca-os a pensar, refletir sobre o filme. Para introduzir o espectador na história, o diretor usa uma viagem da família até a casa de campo. Ao final ele usa o passeio de barco para finalizar a história, distanciando os personagens ? e com isso o espectador ? da tal casa de campo. Um filme que tem a maioria das cenas claustrofóbicas, demonstrando o sentimento dos personagens reféns. Até mesmo as cenas noturnas ? que geralmente são bastante complicadas de se fazer ? trouxeram um benefício ao suspense do restante da película. O incrível é que mesmo que sejamos ? pelo menos a maioria de nós ? contra a violência, em quaisquer formas, torcemos o tempo todo para que a família consiga matar os seqüestradores. E isso é esboçado na cena principal do filme. Mas o diretor toma as rédeas e nos mostra que quem manda no filme é ele. SORO: atuações acima da média, interação com o público, parte técnica quase perfeita: fotografia e movimentos de câmera excepcionais, planos seqüência benéficos, maquiagem e figurino de primeira. VENENO: o diretor brinca com o espectador chamando-o de idiota. NOTA (0 a 5): 4,5 ****

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