O Cheiro do Ralo
Nota 8.1 (741 votos)
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| Título original: | O Cheiro do Ralo |
| Dirigido por: | |
| Gênero: | |
| Status: | Digital High Definition |
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Andre Blak
Nota dada: 10
Sou categórico ao afirmar: O CHEIRO DO RALO é o melhor filme brasileiro da última década. Simples, direto e genial. Abaixo, reproduzo minha crítica publicada nos sites udigrudi e blakfilm: Que o ser humano é podre por natureza, isso nos resta poucas dúvidas. Que vivemos o dilema cada vez mais impiedoso da lei do mais forte, também não há como questionar. Na sociedade contemporânea onde o material é cada vez mais prioritário, instintos básicos da existência perdem seus valores simplesmente por não terem preço de mercado. Lourenço, como a maioria de todos nós, é o retrato dessa sociedade. Babaca por natureza, irônico de formação e sádico em transformação. É assim que podemos classificar Lourenço, um esquisito e frio negociador de objetos usados. Nada rompe sua indiferença diante da miséria cotidiana. Leva sua catedrática rotina diária de torturar os coitados que lhe querem vender algo, usando o seu pífio poder financeiro para testar os limites da paciência alheia. Incentiva a autodestruição dos seus ?clientes? como o governo faz conosco, pobres contribuintes. Suas orgulhosas virtudes de cidadão escroto são abaladas pela deliciosa bunda de uma garçonete e pelo insuportável cheiro do ralo do banheiro de seu escritório. Incapaz de aferir valor material aos seus instintos sexuais e olfativos, Lourenço opta pela obsessão como meio de chegar a sua redenção pessoal. Decide mostrar ao mundo que não é culpado de ser quem é, já que o seu universo o fez assim. A culpa é sempre da bunda e do ralo. O sexo e o fedor dos seus atos. Os orifícios destruidores do seu orgulho de ser homem macho. O CHEIRO DO RALO é candidato a um dos melhores do ano. Um filme para públicos específicos já que a repulsa criada no próprio título é apenas o início do universo insano escrito pelo cartunista Lourenço Mutarelli. Falar da genialidade do roteiro de Marçal Aquino (co-escrito por Mutarelli) é chover no molhado. Roteirista de todos os ótimos filmes de Beto Brant, repete aqui a parceria bem sucedida com Dhalia iniciada em NINA. Aquino procura sempre redimensionar seu personagens, quase sempre marginais, indo além e criando pequenos universos particulares surreais onde códigos inexistentes e o desprezo pela raça humana são regras do mundo cão. Heitor Dhalia se firma no hall dos grandes realizadores brasileiros, provando que a inventividade estética e a direção de atores tem alternativas infinitas. Ainda que seu filme anterior apresente esta explosão estética inventiva, O CHEIRO DO RALO tem Selton Mello, uma unanimidade nacional da encenação. Seu Lourenço exala asco e compaixão, atração e repulsa. E vontade de de ver e rever esse magnífico filme. Sentir mais uma vez esse cheiro forte e indigesto. Uma nauseante alfazema de obra-prima.