Lemon Tree

Título original: Etz Limon
Dirigido por:
Gênero:
Status: Aguardando Mobilização
8.4 (61 votos)

Críticas

Bella  que deu nota 8 O que achou da critica?RuimRegularÓtima

"Lemon Tree" traz uma enorme gama de ambivalências étnicas, religiosas e humanas para o âmbito da delicadeza. Um tema que vem sendo tratado pelo cinema e pela mídia quase sempre sob uma ótica belicista - o conflito árabe-isralense e a disputa territorial entre eles - em "Lemon Tree" aparece com contornos humanistas. Sim, há disputas injustas, muita intolerância, tensão e todo o desânimo que isso acarreta. No entanto, a descrição fílmica de uma disputal territorial "menor", no caso aqui, o pomo da discórdia é uma plantação de limões no quintal de uma palestina que pode supostamente pôr em risco a vida de um político israelense, "ousa" mostrar personagens que são, antes de tudo, profundamente humanos e portanto, visceralmente parecidos, e é isso o que importa. O filme desloca o ponto de vista do status quo - se é um "inimigo", devemos combatê-lo -, e, socraticamente, nos leva a perguntar antes de o decretarmos como tal, é realmente um inimigo? Somos inimigos? Também socraticamente nos ajuda a responder. Não necessariamente. Se olharmos com um pouco mais de cuidado, vamos descobrir, aos poucos e generosamente conduzidos por Eran Riklis, que o que temos tratado via de regra como realidade, ao contrário, trata-se de um estigma alimentado por décadas de intolerância. "Lemon tree" nos convida a perceber até que ponto o nosso olhar se viciou e até que ponto podemos rearrumá-lo. Para nossa grata surpresa, percebemos que aqueles que ali estão são seres humanos, basicamente iguais, não importa onde estejam, ou quem sejam. O fio que nos conduz por essa belíssima saga de descoberta de que estamos no mesmo barco se alterna entre duas mulheres, que ora se digladiam, ora se encontram através de longos silêncios e olhares que olham para além das aparências. Um colírio para um mundo teimoso em suas cisões. O filme ainda reserva espaço para o romance (contido, sofrido e delicado), para o humor (o soldado que "guarda" a plantação de limões "matando o tempo" jogando uma espécie de trivia eletrônica é hilário) e para a disseminação vigorosa de valores como determinação, coragem e o "reconhecimento" de que o "outro" afinal não é tão outro assim. Nós estamos ali, indelevelmente. Só não gostei da última cena. Um tom pessimista acima de tudo que foi apresentado antes.

Dê uma nota neste filme:
Escreva sua própria crítica

Adicionado à lista por 160 pessoas

Escreva seu comentário