Em Paris

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Nota 7.3 (114 votos)

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Título original: Dans Paris
Dirigido por:
Gênero:
Status: 35 mm
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  • Vinicius Silva

    Nota dada: 8

    Este é o terceiro longa-metragem de Christophe Honoré, mais um falando do amor de uma forma delicada, característica do diretor, que adora traçar nos seus filmes os laços amorosos que existem entre os seres humanos. Diga-se de passagem, ele faz isso sempre de forma muito competente. Em ?As Canções de Amor?, por exemplo, Honoré fala das diversidades das relações amorosas, da perda e da sobrevivência em Paris, as reviravoltas de um triângulo amoroso, como surge a aproximação de um relacionamento homossexual. O interessante de ?As Canções de Amor? é que tudo é representado de uma forma cantada, como se fosse um musical realmente, sempre na base de um compasso para explicar essas duras relações e como nós, seres humanos, convivemos com ela. O seu mais novo longa, ?Em Paris? - que estreou essa semana em São Paulo e não tem data para chegar em Salvador ?, Christophe Honoré nos presenteia com um dos melhores filmes de 2007. A sua sensibilidade em sempre retratar as relações de amor, de carinho, de afeto, de ódio, de perdão e de tantos outros sentimentos nas ruas de Paris nos emociona por soar tão sensível e verdadeiro. Nesse seu mais novo longa, pelo início deste, poderíamos julgar que ele narraria um amor entre duas pessoas na cidade apaixonante de Paris, símbolo do Romantismo exposto nas suas arquiteturas e na sua beleza estética. Mas, longe disso, ele retrata e vai fundo no amor verdadeiro entre dois irmãos. Quando Anna se separa de Paul, este fica arrasado e resolve se mudar para a casa do seu pai. Nesse mesmo ambiente, mora o seu irmão Jonathan, que vive uma vida mais tranqüila de estudante universitário, atrás de festas e mulheres. Mas, enquanto Paul se afunda em depressão, Jonathan também revela ainda estar profundamente arrasado com a morte da sua irmã Claire, de 17 anos, mesmo não demonstrando. Claire suicidou-se com 17 anos e até hoje a família procura uma explicação, principalmente Paul, que nunca entendeu o motivo pelo qual a sua irmã vivia chorando pelos cantos. Jonathan sente que Paul está indo pelo mesmo caminho de Claire, só que ele sabe o motivo de estar tão triste. O amor pode revelar muitas coisas. Em muitas ocasiões, o silêncio pode ser a coisa mais sábia a fazer, principalmente quando queremos ouvir o ?sim? de alguém e esperamos por aquela resposta como esperamos pela aprovação no vestibular. O amor também pode ser cruel, pode ser mesquinho e trazer uma vida cheia de amarguras para quem realmente estava vivendo na ilusão de ter encontrado o grande amor da sua vida. Assim foi com Paul. O grande erro dele foi não dar muita importância para Anna enquanto os dois estavam juntos. As brigas eram constantes, as discussões cada vez mais intermináveis. Mas, essa não era a graça do amor? Na verdade, o que é o amor? Será que vale a pena se jogar de uma ponte por alguém, por ter amado alguém? O amor tido como incondicional, não acontece apenas com duas pessoas de sexos opostos. Nós podemos declarar o nosso verdadeiro amor para os nossos amigos, para os nossos parentes e, principalmente, para os nossos irmãos. E é assim que Christophe Honoré enxerga o relacionamento amoroso entre duas pessoas. Os primeiros minutos do filme pode até enganar os espectadores, pois retrata o fim de um relacionamento, mesmo não seguindo uma ordem cronológica dos fatos, onde Honoré se utiliza da narrativa de inserção (mesmo recurso usado por Gus Van Sant no seu longa ?Last Days?), para mostrar como os dois terminaram e em como Paul chegou no fundo do poço. Depois do fim do relacionamento, Anna não aparece mais na projeção, exatamente porque o diretor não queria trazer o sofrimento de Paul em contraste com Anna. Os fatos estavam explícitos, as imagens representavam a dor de um verdadeiro amor que se rompeu e que só foi verdadeiro naqueles momentos que duraram e que, agora, não passava de meras lembranças. Alguns críticos chegaram a dizer que ?Em Paris? é uma homenagem à Nouvelle Vague de François Truffaut, só que na forma da história de dois irmãos. E soa perfeitamente igual. Truffaut era um gênio na arte de expressar o amor entre duas pessoas e de criar comédias maravilhosas e deliciosas, vide ?Beijos Proibidos?. As personagens femininas apresentadas pelo diretor são meras coadjuvantes nesse longa encabeçado por personagens masculinos. A idéia de Honoré é mostrar como o homem demonstra o seu amor, não necessariamente ligando isso ao fato de ser por uma mulher. Os personagens femininos apenas ilustram as passagens vividas por Jonathan que, em contraste com a tristeza do seu irmão Paul, vive a vida que qualquer estudante vive, atrás de descobertas e de se aventurar nas ruas romãnticas que só Paris possui. A relação da família de Paul é outra constante do filme, tanto que boa parte dele é ambientado na sua casa, com tomadas pelas ruas de Paris, para exemplificar exatamente o constraste já citado entre Jonathan e Paul. Guy Marchand atua de maneira espetacular, tentando demonstrar o quanto ama os seus dois filhos e o quanto se preocupa com o estado em que Paul está, mas sem saber ao certo como amar e como fazer os seus filhos perceberem que ele ama. Mas, mesmo assim, o Romantismo entre o homem e a mulher tem espaço na projeção de Christophe Honoré, principalmente no momento em que Paul e Anna cantam no telefone, formando um dueto maravilhoso e emocionante. A letra tem a delicadeza certa para mostrar que o relacionamento entre eles acabou e a expressão que cada um tem na cena exprime que, apesar de terem terminado, eles se amaram. Nem mesmo essa cena consegue superar o momento mais emocionante do filme, onde Honoré confirma o amor incondicional entre os dois irmãos. O momento final em que Paul lê um livro de época para o seu irmão funciona exatamente como uma metáfora para a história criada pelo diretor. Um aprendendo com o outro, o mais velho ensinando o que sabe e passando a sua experiência para o mais novo, relacionamentos que fazem parte entre irmãos. ?Em Paris? é a chance de ver o amor, palavra tão repetitiva e cheia de significados, além de um relacionamento amoroso. ?Em Paris? nos dá a oportunidade de olhar mais pronfudamente para o amor entre dois irmãos e Christophe Honoré provoca o nosso interior e o nosso entendimento do que realmente significa amar alguém, incondicionalmente.

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