Nome Próprio
Nota 7.0 (124 votos)
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| Título original: | Nome Próprio |
| Dirigido por: | |
| Gênero: | |
| Status: | Digital High Definition |
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Belas Artes
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Lucas Pretti
Nota dada: 8
O texto de Clarah Averbuck é corrido. Fala rápida e precisamente de sentimentos. Pausa. Desdiz o que foi dito. Exagera. Renega. E dá uma fluidez à narrativa típica não apenas da internet, mas do mundo que propiciou a existência da cultura blogueira. Um mundo barulhento, com os Strokes tocando no fundo, o cigarro na boca e trezentos mil amores verdadeiros em uma só noite. O texto de Clarah é escuro, movimentado, entrecortado por néon e pulsa, pulsa, corre, tem pressa, a vida pode acabar antes do post. Nome Próprio, por incrível que pareça, não tem nada disso. O filme de Murilo Salles surpreende pela solução ?pacífica?. Com a calma dos diretores maduros que encaram a loucura da conexão ininterrupta como, isso mesmo, uma loucura, ele constrói uma narrativa melancólica e reflexiva. Dos três meses de filmagem, dois tiveram apenas Leandra Leal no set. A solidão da atriz no palco contribuiu para a construção da personagem só, calada, despedaçada, buscando algo que nem ela sabe o quê. Nome Próprio é um filme silencioso. Mas não por isso menos incisivo. A Camila Jam enxergada por Salles é uma mulher em transição. Ela só existe nas palavras que escreve, o que fica claríssimo com a opção do diretor e da redatora Viviane Mosé de escrever textos na tela. Em diversas passagens, as palavras são reproduzidas nas paredes, chão, teto. Leandra Leal realmente digita no teclado do computador o que a personagem está escrevendo. Em cenas como essa, a atriz prova ser grande. Os olhos e as reações diante do texto aparecendo no computador trazem uma fé cênica apenas encontrada no pensamento da atriz. Dentro da cabeça de Camila há o barulho, o frenesi, a música alta de Clarah Averbuck. Na tela do computador, o filtro, a literatura. Leandra acha que Nome Próprio é, principalmente, um filme sobre processo criativo. Que consegue explorar e investigar como uma escritora contemporânea pare seus escritos. Ele é isso também, mas tem como tema latente a condição feminina pós-feminismo. Aqui Murilo Salles erra um pouco a mão. Algumas cenas parecem forçadamente chocantes, diálogos aparecem um tanto fora de contexto apenas para reafirmar quão descoladas são as garotas de hoje e que, sim, ainda há ali a obra de Clarah Averbuck. Se, quando fala, Camila às vezes não convence, quando age, ah, aí o espectador se mexe incomodado. A personagem não tem limites, quer tudo, sempre, e agora. Pula com força no poço mesmo sabendo que pode dar com a cabeça no fundo. Se não tiver fundo, pronto, valeu a pena, o mergulho foi o melhor que poderia ser. As influências de Clarah aparecem nas cenas de ação. Quando, por exemplo, Camila, bêbada, perdida num hotel trash da avenida São João, decide ?dar? para o desconhecido de Ribeirão Preto. Mas aí decide não ?dar?. Cai bêbada. O garotão investe de novo. E fatura uma mulher que pouco estava ligando para ele, queria mais é ser satisfeita, pede para ser dominada só para fugir de ter de cuidar de si mesma. Isso tem a ver com John Fante, Paulo Leminski, Charles Bukowski. A personagem é uma mescla da melancolia de Cazuza com o risco de Hunter Thompson. Há um desafio permanente às pessoas e às situações envolvido em um não se importar, em um mau humor, uma rabugice. Tudo isso com a necessidade de escrever. Tudo isso só faz sentido se estiver publicado na internet. Tudo isso só serve para, depois, se tornar ficção e ser consumido pelos ávidos internautas. Murilo Salles quer tanto passar essa idéia que, no final, acaba didático demais. Apesar de ter uma certa razão. Em http://cubomagicoblog.wordpress.com.
