Juno
Nota 8.1 (693 votos)
clique e vote:
| Título original: | Juno |
| Dirigido por: | |
| Gênero: | |
| Status: | Digital High Definition |
-
Espaço Unibanco de Cinema Pompéia
19 usuários mobilizados
-
Reserva Cultural
4 usuários mobilizados
-
Espaço Unibanco de Cinema
4 usuários mobilizados
Dê uma nota para este filme:
-
Vinicius Silva
Nota dada: 8
Assisti à Juno com a mesma despretensiodade que o filme tem. Não fui esperando muito, mas também, não é um longa que devemos julgar pela capa ou pelos atores ou, ainda, pela história. O diretor de Obrigado por Fumar (Jason Reitman), cria em Juno a oportunidade que o espectador tem, de sentir a reflexão imposta pelo roteiro, mas de uma maneira diferente e sem cair nos devidos clichês que uma obra como essa poderia ter, em referência a outros filmes que optaram pelo mesmo tema: gravidez na adolescência. É complicado retratar temas como esse e dialogar com o público adolescente. Mas, quanto a isso, pode ficar despreocupado, porque Juno tem uma sensibilidade para encarar o fato da gravidez na adolescência de maneira inteligente, sem falar no ?humor negro? que cerca a personagem principal, interpretada pela jovem atriz Ellen Page. Além de um roteiro sensível, o filme traz mais do que encarar o simples fato de uma adolescente de 16 anos estar grávida, fugindo do estereótipo criado pela nossa sociedade. Tudo aquilo que uma pessoa com essa idade pode sofrer de preconceito na escola, é muito bem retratado, mas a dinâmica de humor faz com que o filme não entre no mérito de se tornar clichê ao mostrar como as pessoas olham para a barriga de Juno, com aquele ar de reprovação. O roteiro de Diablo Cody é a expressão de um personagem que possui tanto o lado materno (adquirido a pouco tempo), mas também o seu lado de criança, seguindo a tendência característica do filme. Sabendo que estava grávida ? e ela fez o teste 3 vezes para comprovar ? Juno tenta encarar esse fato novo da sua vida quando, na verdade, ela só queria se divertir. Mas ela continua se divertindo, sem deixar de lado a seriedade que precisa ser levada em conta quando se trata de um tema como esse, que é, no mínimo, polêmico. Morando com os seus pais adotivos, Juno é o tipo de garota diferente de todas as outras, tanto na maneira de se vestir, quanto na música que ouve. Vivendo cercada de pessoas que cada vez mais são estereotipadas e vivem em seus grupinhos no colégio, Juno foge dessa premissa e cria o seu próprio mundo, mas não se afastando dos outros, muito menos se sentindo reprovada pelas outras pessoas pela gravidez não desejada que ela está enfrentando. A saída que Juno encontra para ter o seu bebê e não abortá-lo, é procurando um casal que esteja afim de criar uma criança, mas que nunca puderam ter. É aí que entra a personagem de Jennifer Garner, como uma mãe que sempre desejou ter um filho e sabe que nasceu para isso, mas nunca teve a chance de ter um. Juno, sabendo que não estava preparada para ser mãe, acredita que a melhor saída é entregando o seu filho para alguém que possa amá-lo e cuidá-lo da melhor maneira possível e com o carinho que uma criança precisa ter, crescendo em um verdadeiro lar. O filme, nesse estágio, se preocupa em deixar claro que essa é a melhor decisão quando não se está preparada para começar uma nova vida como esta, mas aponta também para o lado responsável da coisa, que é a preocupação que se precisa ter quando deixamos uma criança com pessoas desconhecidas. E Juno se mostra como uma mãe, mesmo sem perceber que está agindo como tal, quando ela visita o lar em que o seu filho vai viver, ou quando ela vai conhecendo casal que estará adotando o seu filho aos poucos, mostrando que é necessário fazer esse tipo de investigação. Afinal de contas, é de uma vida que estamos falando. O apoio dado pelos pais adotivos foi um outro ponto que achei acertado pelo roteiro que fora criado. O que primeiro veio a minha cabeça, era como os seus pais iriam reagir com a notícia. Para a minha surpresa, eles acabaram reagindo muito bem. Obviamente que existe aquela surpresa por eles não imaginarem que uma garota de 16 anos pudesse estar grávida mas, ao contrário do que normalmente é retratado, eles se prontificaram e deram o apoio que Juno necessitava. E mesmo assim, Juno dá o espaço merecido para o romance e, principalmente para a música que envolve os personagens Juno e Mark, parecendo que poderia existir um romance entre os dois, que ambos estariam apaixonados, fazendo com que o filme adentrasse em uma outra polêmica: o namoro entre uma garota de 16 anos e um homem de 30 anos. Foram provas de que o filme poderia seguir o clichê aqui citado no texto, mas toda essa premissa só ajuda para que Juno percebesse o quanto amava e estava apaixonada pelo pai do seu filho, Paulie Bleeker, mesmo sem ter um prévio relacionamento com ele. No entanto, o grande mérito do filme é o poder de dialogar, tanto com o público jovem quanto com o público adulto, o que acaba sendo importante para a construção da história. Juno não é um simples filme feito para os adolescentes e para chamar atenção dos problemas que pode acarretar uma gravidez nessa fase da vida onde, obviamente, estamos a procura de algo mais. Ele não se preocupa em dar lição de moral, pelo contrário, ele deixa para que cada um tire as suas próprias conclusões, intercalando a linguagem narrativa entre os dois mundos: juvenil e adulto. O filme de Jason Reitman é delicioso e tem, em Ellen Page, o carisma que é preciso para conquistar o público e a crítica. O final não me deixa mentir, quando ele se mostra ainda mais despretensioso do que eu achava.