Paranoid Park

Nota 7.8 (186 votos)

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Título original: Paranoid Park
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Gênero:
Status: Digital High Definition

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    Paranoid Park é considerado o paraíso para os skatistas. Um lugar de reunião para tirar boas manobras, se interagir com a comunidade de pessoas que têm um gosto em comum: o amor pelo skate. Além disso, dizem que a pista de skate, que é um sonho para qualquer skatista, tem lá as suas particularidades, principalmente por ter sido construída pelos próprios skatistas, cansados da proibição de andar de skate pelas ruas da cidade ou em praças públicas. Assim sendo, Gus Van Sant (Elephant, Last Days) lança o seu olhar sob esse universo de jovens que encontram no skate uma forma de viver, de lidar com a realidade da vida, de fazer novos amigos, de aprender novas manobras. O longa Paranoid Park retrata um pouco da vida de Alex, depois que ele vai na famosa pista de skate pela primeira vez e, quando retorna em uma outra noite, um terrível acidente acaba acontecendo. Acidente ou crime? Não importa o que tenha acontecido, porque Gus Van Sant não tem o interesse de traçar culpados para sua obra, nem se preocupa em mostrar um desfecho que possa trazer isso, tanto que não percebemos em nenhum momento na expressão de Alex, o seu sentimento de culpa pelo ocorrido. Ele apenas quer retratar a vida dos adolescentes, de uma maneira real, tentar decifrar esse mundo. A sua idéia é que o espectador possa se identificar com o que está sendo contado e, tenha certeza, ele consegue isso. Baseado na obra de Blake Nelson, Gus Van Sant dá poesia às cenas do seu filme e coloca o espectador em constante atenção para se entender o que se passa na tela. Utilizando de características próprias da sua filmografia, como a narrativa de inserção de fatos e a montagem não-linear, Van Sant consegue novamente transpôr mais do que um mero mergulho no mundo adolescente, mas sim, uma incursão para se entender o que acontece com eles e o porquê de acontecer. A maioria dos personagens de Van Sant (e isso fica claro em Elephant) são jovens e que possuem sérios problemas em casa. No caso de Alex, os seus pais estão se separando e ele precisa lidar com o fato, além de ajudar o seu irmão mais novo. Por isso, o mítico Paranoid Park funciona como um local de afirmação, em que jovens como Alex fogem da realidade e querem apenas ?voar? com os seus skates, fugindo dos problemas e das responsabilidades que a vida lhes impõem cada vez mais cedo. Além disso, é preciso ficar bastante atento com o estilo narrativo de Gus Van Sant. Para aqueles que já estão acostumados com a sua filmografia, não irão encontrar muita dificuldade. Para os que não estão, é preciso entender as idas e vindas da mesma cena, quando podemos vê-las a partir de ângulos diferentes. Alguns momentos ficam sem desfecho, pulando para uma cena completamente diferente daquela que estava acontecendo. A edição feita dessa forma é proposital, não com o intuito de confundir, mas de trazer diferentes maneiras de contar uma história, no caso, uma cena. A utlização da morte do segurança na noite em que Alex esteve em Paranoid Park funciona apenas como um pretexto para se investigar o universo teen, algo que Gus Van Sant já faz com tamanho poder de captação. Em Elephant, por exemplo, ele se utiliza da tragédia em Columbine e do documentário feito por Michael Moore, Tiros em Columbine, para contar a história pela visão dos adolescentes que estavam dentro da Universidade naquele momento. As fases de Gus Van Sant são sempre ótimas de se observar. Na primeira, ele era o diretor ?indie?, mais preocupado com a forma. Na segundo, de filmes como Gênio Indomável e Encontrando Forrester, revelava um namoro mais profundo com o cinema comercial, lhe rendendo até uma indicação ao Oscar. Nessa sua nova fase, ele se rendeu ao espírito independente e vem criando filmes que se preocupam com a linguagem, criando características próprias para transformar os seus pensamentos em imagens na tela grande. O seu estilo poético é algo muito característico dessa sua terceira fase. E ele se utiliza disso em Paranoid Park, que conta com uma fotografia maravilhosa do início ao fim feita por Christopher Doyle, que ajuda a dar espaço para o ?poeta cinematográfico? que Gus Van Sant é. Na cena do chuveiro, por exemplo, em que Alex parece estar se culpando pelo ocorrido, as águas vão caindo no seu cabelo, a câmera vai seguindo a pertubação do rapaz, a trilha sonora passando pelo punk rock e chegando até em Beethoven, é a combinação perfeita para transformar o que seria uma cena normal, em algo extremamente maravilhoso, que chega arrepiar. A forma de gravação com 35mm, que corroboram para o excelente trabalho de fotografia, com outras cenas filmadas em super 8 (colaboração de Rain Kathy Li), traduzindo as manobras dos skatistas, além do slow motion como uma captação de flertar com o drama, com a emoção, com os ritmos, com as cores, com todo o Universo imaginado por Gus Van Sant, que só ele parece conseguir fazer. São as intenções que o diretor se utiliza para contar uma história, sem falar no cuidado que ele teve com a trilha sonora, trazendo as influências que cada jovem tem em termos musicais. Mesmo sendo um longa-metragem, Paranoid Park às vezes toma um rumo documental, principalmente quando ele envolve cenas gravadas de skatistas fazendo manobras em parques da cidade, o que acaba funcionando muito bem para a crítica que ele constrói em cima das leis que proíbem essas pessoas de andarem de skate, quando ele mostra os policiais apreendendo os skates dos adolescentes ou, ainda, quando eles são simplesmente proibidos de andarem ali. Contando, como sempre, com um elenco amador (os atores foram recrutados do MySpace), Gus Van Sant traduz o seu incrível modo de pensar e de enxergar o mundo adolescente, procurando entender o que se passa na cabeça dos jovens, investigando esse mundo obscuro, desde os problemas com a namorada até o crime que acaba sendo o ponto de partida para a obra do diretor. Não tão ousado quanto Elephant, porém com uma estética que já lhe é própria, Gus Van Sant traduz mais uma vez a sua visão poética desse mundo que parece ser impenetrável, mas que só ele consegue desvendar com tamanha maestria.
  • joaoflavio

    Nota dada:10

    O que achou da critica? ruim boa

    A fotografia e trilha sonora são impecáveis, isso faz o espectador mergulhar em cada cena e sentir exatamente a emoção do personagem.
  • ironil

    Nota dada:10

    O que achou da critica? ruim boa

    Obra-prima de Gus Van Sant
  • Matelelo

    Nota dada:10

    O que achou da critica? ruim boa

    A trilha sonora dá todo o clima de paranóia do filme, ela é impecável. A falta de expressão facial do personagem principal também é perfeita pra dar o clima da situação e transformar uma história que poderia ser simples num enredo memorável.
  • anakamila

    Nota dada:8

    O que achou da critica? ruim boa

    Em ?Paranoid Park?, encontramos elementos que são recorrentes na filmografia mais recente de Gus Van Sant. A câmera é uma observadora dos fatos ? o que confere à obra um caráter documental. A trilha sonora preenche os ? muitos ? silêncios deixados pelos personagens. A edição não quer dar um senso de continuidade entre uma cena e outra ? e sim unir vários fragmentos num todo. No final, o longa acaba sendo um estudo sobre aquilo que podemos ? ou não ? carregar ou, numa interpretação mais otimista dos fatos, sobre como conviver com os erros que cometemos sem dar margens para que alguém desconfie de nós.